DIABETES E A DISFUNÇÃO ERÉTIL
O Diabetes é uma das condições crônicas que mais freqüentemente causa a disfunção erétil (Akerman et al 1993, Shiavi et al 1993, Close e Ryder 1995, Bancroft e Gutierrez 1996, Dunsmuir e Holmes 1996, Hakim e Goldstein 1996, Klein et al 1996).. Estudos nos EUA mostram que 30 milhões de homens podem ter algum tipo de problema de ereção. Quando se estudam esses homens, observa-se que os mesmos podem ter também problemas vasculares, diabetes ou depressão o que mostra um complicado interrelacionamento entre estas patologias.
O diabetes é uma doença que provoca um processo inflamatório nas artérias e arteríolas do corpo e que tem que ser controlada pelo paciente. É freqüente termos pacientes diabéticos com problemas de circulação, não só no pênis como em outras artérias de maior porte de membros inferiores, rins, etc. As artérias do pênis por serem minúsculas, geralmente são as mais acometidas.
A etiologia da DE na população diabética é multifatorial e acaba por envolver problemas endócrinos, cardiovasculares, urológicos e até psiquiátricos. Estima-se que 35 a 75 % dos homens com diabetes possam ter disfunção se comparado com outros grupos de estudo. Homens com diabetes desenvolvem o problema de 5 a 10 anos antes. O desenvolvimento desse problema com o passar dos anos no grupo de diabéticos também se dá de forma mais progressiva. Estudiosos como Feldman et al avaliam que o risco da disfunção erétil é de três vezes maior nos diabéticos que nos não diabéticos. O efeito prejudicial do diabetes mellitus na função erétil é demonstrado por estudos de tumescência peniana noturna anormal observada em diabéticos com função erétil normal (Nofringer et al 1992).
Medicamentos inibidores da PDE-5 são menos eficazes nos diabéticos do que em populações de homens sem essa patologia. Pacientes diabéticos estão associados com um acelerado nível de aterosclerose, problemas micro-vasculares, neuropatias, dislipidemia, hipertensão e disfunção do endotélio.
Esses problemas acima relacionados contribuem muito para a DE e a sua combinação potencializa os efeitos. Em resumo, a idade do paciente, o tempo de duração do diabetes, o controle inadequado da glicemia bem como as complicações derivadas do diabetes aumentam o risco de DE em pacientes diabéticos.
DISFUNÇÃO ERÉTIL E FATORES DE RISCO CARDIOVASCULARES
Disfunção Erétil é bastante comum em homens que têm problemas coronarianos. Cardiologistas precisam estar atentos dessa conexão e perguntar aos pacientes com problemas coronarianos e fatores de risco para doenças arteriais da coronária sobre sua saúde sexual. Identificar e tratar os riscos coronarianos nos pacientes que apresentam DE não vai somente ajudar na parte sexual como pode também vir a salvar a vida do paciente. (7- Erectile Dysfunction and Cardiovascular Risk Factors – Robert A Kloner, MD PhD)
Observou-se que, diversos homens que tiveram problemas cardiovasculares, ao serem questionados a respeito da parte de ereção, informaram que realmente sentiram algum tempo antes alteração na parte sexual. A parte sexual é bastante sensível e, em muitos casos é afetada antes da parte cardíaca, ou seja, podemos e devemos observá-la como um “aviso” de que algum outro problema, no caso o cardiológico pode estar ocorrendo.
PROSTATA
A próstata é um órgão interno presente somente nos homens e tem o tamanho aproximado de uma ameixa Fica logo abaixo da bexiga, envolvendo a uretra, que é o canal por onde passa a urina durante a micção. É uma glândula que faz parte do sistema reprodutor masculino, produzindo um líquido que se junta à secreção da vesícula seminal para formar o sêmen. Dentro da próstata ocorre a transformação do principal hormônio masculino - testosterona - em diidrotestosterona que por sua vez é responsável pelo controle do crescimento dessa glândula Já está provado que seu crescimento está relacionado com o avanço da idade.
Quando a próstata aumenta muito de volume pode se transformar em uma verdadeira ameaça para o bem-estar do homem, pois começa a comprimir a uretra e a dificultar a passagem da urina. Os principais sintomas ocasionados pela obstrução urinária decorrente do crescimento prostático são o jato urinário fraco e sem pressão e às vezes interrompido, sensação de urgência em urinar e dificuldade ou demora em iniciar a micção, acordar diversas vezes à noite para urinar e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga. Em casos de obstrução mais grave há necessidade da colocação de uma sonda na bexiga para permitir a drenagem da urina.
Existem 3 tipos de doenças que podem afetar a próstata: a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB ), a prostatite (inflamação ou infecção da glândula) e o câncer da próstata.
Alguns sintomas que podem indicar algum tipo de problema com a próstata
Embora HPB e Câncer de Próstata sejam diferentes, em alguns casos os sintomas podem ser semelhantes. Para diagnosticar com certeza o tipo de problema que o paciente apresenta, o médico precisa reunir informações sobre as queixas urinárias e realizar um exame de toque retal, em que através do contato do seu dedo com a superfície da próstata pode avaliar diversos aspectos da glândula. Outro exame importante para o médico é o PSA (antígeno prostático específico), um exame de sangue que traz informações sobre a possível malignidade da próstata. O ideal é sempre fazer-se o exame de toque e o de PSA visando atingir níveis mais confiáveis no diagnostico dos casos de tumores malignos da próstata. Tanto o toque como o PSA têm seu índice de falha e por isso é importante fazer-se os dois associados. Também podem ser utilizados exames de ultra-sonografia de próstata, endoscopia urinária e urodinâmica para diagnóstico.
O câncer da próstata representa hoje grande parcela no índice de câncer no homem e pode permanecer confinado à glândula, mas também pode se expandir, afetando as regiões vizinhas, os gânglios e os ossos.
O tratamento do câncer da próstata é quase sempre cirúrgico quando diagnosticado na fase inicial. Outros tratamentos são a radioterapia , a hormonioterapia e em alguns casos a braquiterapia. porém a perspectiva de cura é muito maior quando o diagnóstico é feito no início da doença.
Os homens devem iniciar os exames de rotina da próstata a partir dos 40 anos, evitando desta forma as graves conseqüências desta doença. Homens com antecedentes familiares de câncer da próstata têm maior chance de desenvolver a doença e por isso, nos casos de histórico hereditário de câncer de próstata deve-se iniciar os exames a partir dos 35.
PROSTATECTOMIA E IMPOTÊNCIA
O câncer de próstata tem um grande impacto na saúde do homem bem como na sua qualidade de vida. Milhares de casos são diagnosticados anualmente e infelizmente muitos homens ainda morrem devido a esse problema. Diversos tratamentos são disponíveis sendo geralmente a prostatectomia radical o mais indicada para casos de câncer localizado. Os pacientes que serão submetidos à prostatectomia radical devem sempre orientados quanto aos riscos de disfunção erétil ou de incontinência urinária.
A prostatectomia radical é um grande fator de risco para a disfunção erétil, problemas de ejaculação e alterações na parte de orgasmo. Alguns fatores podem interferir nesse ponto, tal como a idade do paciente, como estava a função erétil antes da cirurgia, estagio de avanço do tumor e a técnica cirúrgica utilizada. A taxa de manutenção da função erétil é maior em homens abaixo de 65 anos. Também fatores como diabetes, hipertensão, arterosclerose, taxas altas de colesterol, fumo e problemas cardíacos acabam interferindo na disfunção erétil pós cirúrgica. (*17) Pacientes que já tinham algum tipo de disfunção erétil antes da cirurgia têm tendência a ter esse quadro agravado.
Estudos (*14) mostram que a incidência da disfunção erétil após a prostatectomia radical pode chegar a 60% independente de o cirurgião considerar que a operação tenha ou não conseguido preservar os feixes vasculares e nervosos. É importante frisar que a localização exata desses feixes nervosos durante a cirurgia é em alguns casos bastante complexa e difícil.
Também nos casos de tratamento cirúrgico da hiperplasia benigna da próstata (ressecção transuretral ou transvesical) não se observou diferença nos resultados dependendo do tipo de procedimento e que, quanto mais idoso o paciente, maior a chance de DE.(*15) O risco de DE após ressecção transuretral de próstata é extremamente baixo em indivíduos potentes, porém é alto naqueles que já apresentam alguma disfunção prévia.
O tempo para retorno das funções eréteis é bastante variável e normalmente o homem não consegue o retorno da mesma tão rapidamente quanto consegue o retorno do controle da micção. Alguns estudos mostram que o homem chega a levar 18 meses após a cirurgia para voltar a ter suas funções eréteis. É observado que uma estimulação o mais rapidamente possível da parte de ereção e de aumento do fluxo sanguíneo no pênis facilita o retorno da ereção natural. Embora ainda não haja um protocolo definitivo de quando se deve começar a estimular a ereção, há esse consenso de que não há necessidade de se esperar a ereção natural.
O tratamento para DE após prostatectomia segue os mesmos princípios de disfunção erétil por qualquer outra causa. A primeira opção de tratamento será com o tratamento clínico com uso de medicamentos via oral se não houver nenhuma contra-indicação para uso dos mesmos. Caso não seja possível ou suficiente, deve-se optar pela segunda linha de tratamentos que incluem as autoaplicações. Somente após essas tentativas e não se obtendo os resultados esperados é que se deve optar pelo implante peniano. O que se observa é que embora a incidência de disfunção erétil após prostatectomia, muitos homens permanecem sem tratamento após esse procedimento.
A função erétil pode voltar lentamente em um período de 12 a 18 meses após a cirurgia. Iniciar um tratamento o quanto antes ajudar e melhora as chances de recuperação da função erétil.
Nos casos em que o paciente permanece com problemas de incontinência urinária e disfunção erétil, existem tratamentos clínicos para os 2 problemas, e caso não se obtenha sucesso também existe tratamento cirúrgico para a incontinência urinária.
O mais importante é tratar do câncer e preservar a vida da melhor forma possível e depois, havendo alguma possível seqüela, tratar da mesma com tranqüilidade lembrando-se que a medicina encontra-se muito avançada nessa área.
